Estranhos no ninho: conectando-se com o mundo

Tags

, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Mesmo em recuperação há alguns anos, muitos de nós alcoólicos e adictos ainda nos sentimos como na fase ativa de nossa doença em alguns aspectos, principalmente o social. Não diríamos que somos como estranhos no ninho, mas é como se sentem os companheiros de enfermidade que, por um motivo ou outro, não conseguem trabalhar a si próprios para enfrentar com certa tranquilidade o mundo real. De fato, ao conhecermos os primeiros momentos de sobriedade após algum tempo de abstinência, deparamos com um sistema social completamente diferente daquele que vivíamos em nossos tempos ébrios.

E o mais chato disso tudo é que qualquer criança parece entender os conceitos e regras, o que é sensato, as consequências de certos atos ou palavras… enquanto chacoalhamos a cabeça como se a certificarmo-nos que estamos realmente lúcidos. Parece exagero, mas se levarmos em consideração a quantidade de mancadas que damos em nossos primeiros tempos sóbrios, fica parecendo que não temos habilidades humanas básicas. Sabemos do potencial que temos para adquiri-las ou recuperá-las. E rogamos por sabedoria para tanto.

Perceber que estamos conectados a um sistema complexo, cheio de pontos de ligação, uma verdadeira teia com multiconexões, já assusta um pouco. Ficamos ainda mais surpresos ao saber que somos solicitados a participar. Agora nossa opinião importa. Nossa ação é solicitada (afinal, ninguém quer um peso extra na teia que não ajude a construí-la constantemente). Mas o quê e como fazer? Nos sentimos como um garotinho aprendendo a andar de bicicleta. Para conseguir se equilibrar nessa nova forma de locomoção, ele descobre que precisa pedalar mais rápido e virar o guidão na direção a qual a bicicleta está caindo. Exatamente o contrário do que sabia desde que aprendeu a caminhar, diminuindo a velocidade e se inclinando no sentido contrário ao da queda. Sim. Por algum tempo, tudo é tão diferente. Até que passamos a desenvolver a nova habilidade, o que alguns estudiosos chamam de inteligência sistêmica. Ela é que nos permite trabalhar o autoconhecimento, a autogestão, o reconhecimento dos sentimentos e necessidades dos outros e a busca de serenidade nas tomadas de decisão. Pois são essas tomadas de decisão, os caminhos a escolher, as palavras a usar que costumam atormentar um alcoólico/adicto consciente de sua recuperação.

É comum que não entendamos alguns delays da vida. Por exemplo, alguém pode ser franco demais conosco, ou nos ignorar quando achamos que deveríamos ser considerados, ou até mesmo ser rude. Em um primeiro momento, não entendemos tais atitudes. Ocorre que geralmente não nos voltamos ao passado com empatia a fim de compreender tais atitudes. Muitas das vezes, em épocas anteriores, tínhamos agido de forma pior com essas pessoas. Pode ser que nem lembremos, mas é bem mais possível que não tenhamos capacidade de olhar para nossas atitudes do passado com os olhos e os sentimentos do outro. Se assim o fizermos, creio que muitas das “injustiças” que sofremos agora têm explicações bem plausíveis.

Pois bem, e como agir ao descobrirmos isso? Sorte nossa que temos disponível um programa de 12 passos. Descobrimos por meio dele que no oitavo podemos trabalhar essas descobertas relacionando as pessoas a quem tínhamos prejudicado e, mais importante, nos dispor a fazer alguma forma de reparação. E isso começa justamente com nossa preocupação empática com tais pessoas. Mais além, o Nono Passo nos convida a fazermos essas reparações. Começamos a viver mais leves.

Avançando um pouco mais, o Décimo Passo pede que continuemos a pensar sobre nossos atos e a admitir prontamente no caso de estarmos errados. Então, além de reconhecer os delays e entender as relações de causa e efeito, com o tempo adquirimos a habilidade de descobrir antecipadamente onde surgem consequências involuntárias. Ou seja, passamos a agir com mais sensibilidade prospectando os efeitos de nossas atitudes e palavras nos outros. Nos tornamos mais sensatos, mais mansos, mais criativos até. Isso faz parte da serenidade.

Podemos continuar na tentativa de “demarcar território”, de defender nossa opinião até a morte e até utilizá-la para machucar quem não concorda conosco. Ou podemos fazer aflorar em nós a compreensão da consciência coletiva, na qual se sabe que o mundo, a sociedade, a nossa família e até nós mesmos não somos exatamente o que pensamos, mas o resultado de milhares de outras opiniões. A nossa é apenas uma, mas a mais importante. Não por ser a melhor (isso não estão em questão), mas por ser a que melhor e mais facilmente podemos modificar. Quando compreendemos isso, passamos a enfrentar questões desafiadoras com mais humildade e sabedoria. Nossa recuperação depende disso.


Escrito pelo editor de Alcoólico em Paz. A reprodução é livre desde que citada a fonte e indicado link para o texto original.

Sintonizando com outras pessoas: um passo para uma base segura na recuperação

Tags

, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Acredito ser necessário nós alcoólicos e adictos em recuperação refletirmos sobre dois aspectos da nossa reeducação pessoal: a aprendizagem social e emocional e a vivência com outras pessoas (não necessariamente outros alcoólicos/adictos). Olhando bem para nossas vidas na fase ativa de nossa doença percebemos que a ausência total de autodomínio nos empurrava a atitudes desprovidas de qualquer resiliência. E quase sempre isso resultava na falta de objetivos concretos ou sinceros e de persistência para qualquer outra atitude próspera. Estivemos cansados, entregues, melancólicos. Reclamávamos de todos os reveses. Éramos as pessoas mais injustiçadas desse mundo (e acaso do outro). Era o reinado absoluto da autopiedade.

Entendo que, se acaso resolvermos reverter o giro dessa roda destrutiva de modo a adquirirmos um mínimo de condições de convivência social (e até conosco mesmos), devemos focar no trabalho de uma habilidade chamada empatia. Ou seja, procurar saber o que os outros sentem e pensam, tentar compreender seus pontos de vista, suas crenças e seus desejos. Apenas essa compreensão sincera pode ser capaz de nos tornar pessoas sensatas ou então, diria, menos intragáveis. Nem penso em solicitar aqui atitudes de cooperação ou trabalho em equipe. Ajudaria bastante se ao menos nos tornássemos pessoas mais mansas e compreensivas. E engana-se quem acha que tal ajuda é para os outros. Tal estado de espírito e consciência ajuda, essencialmente, a nós mesmos.

Há algum tempo, existem pesquisas sobre um aspecto da psicologia e psiquiatria chamado de neurociência social. Envolvido nisso, há um estudo sobre “neurônios-espelho”, espécie de células cerebrais que são estimuladas com base no que percebemos em outras pessoas. É como se tivéssemos um “cérebro social” (no nosso caso bem involuído) que, se devidamente (re)ativado, nos permite compreender mais claramente as situações nas quais estamos envolvidos, as pessoas com as quais estamos interagindo e nos deixar mais tranquilos para tomadas de decisões. Afinal, se formos bem sinceros, sabemos que mais da metade (ou muito mais do que isso) dos problemas que nos envolvemos poderiam ter sido evitados caso tivéssemos habilidade social para escolher palavras, gestos ou atitudes. Livres de perturbações, passaremos mais tempo determinando objetivos lúcidos, aumentando nossa autoestima e melhorando cada vez mais nossa capacidade empática. E então teremos a inversão no sentido da roda: paramos de patinar ou andar para trás.

E assim passamos a um rumo mais fluido em nossa recuperação, pois passamos a cultivar a compaixão. Sim, começamos a ir além a compreensão dos sentimentos dos outros. Passamos a demonstrar preocupação e estarmos prontos para ajudar, conforme nos solicita o 12º Passo de Alcoólicos Anônimos. Tendo experimentado o despertar, passamos voluntaria e legitimamente a ajudar aqueles que ainda sofrem (ou sofrem mais do que nós). E falar nisso nos tempos atuais, quando temos quase sempre dezenas de questões que parecem sempre mais importantes ou mais urgentes para resolver, quando recebemos centenas de informações, e-mails, mensagens, telefonemas… ou mesmo quando achamos que precisamos de mais tempo para cuidar da nossa própria recuperação, pode quase parecer um desatino. Mas não podemos esquecer que nossa recuperação também depende disso. Dessa entrega ao outro. E de uma coisa estou certo: compaixão é um sentimento que pode ser aprendido. Ele começa com o desejo sincero de desenvolver a empatia. Mais do que isso, passa também pelo sentimento da necessidade de agir, a despeito da virtuosidade ética.

Resumindo, acredito que a empatia pode ser dividida em três níveis. O primeiro é mais relativo à percepção, ou seja, compreendemos como as outras pessoas veem o mundo e por que se posicionam de tais formas diante das situações. O segundo é mais emocional. Conseguimos perceber quase que instantaneamente como os outros se sentem, como se também pudéssemos sentir suas emoções. Já o terceiro nível, acredito que mais difícil para pessoas “normais” e mais fácil para alcoólicos e adictos, é o que podemos chamar de preocupação empática. Se dá quando estamos sintonizados com o outro e prontos para ajudar.

Tudo muito lindo. Mas uma coisa é dizer, outra é fazer. Deixar de lado nossos principais defeitos de caráter, o orgulho e o egoísmo, é tarefa para a vida. Para nós, conviver com outras pessoas com zelo caridoso e genuíno é quase um deboche. Mas acredito ser esse o caminho para construirmos uma base segura para a nossa recuperação. Precisamos urgentemente saber conviver com os outros, cada vez melhor. É imperioso que tenhamos atitudes sensatas e generosas. Com essa base segura podemos ter a mente funcionando em um nível agradável e firme, sem oscilações; conseguimos assumir riscos inteligentes e crescer na vida. Nossa criatividade passa a ser utilizada para o nosso bem e o de outras pessoas. Voltamos a sentir entusiasmo com nossos projetos e a confiar e receber confiança daqueles com os quais convivemos. Isso tudo, creio, é mais que um passo. É uma caminhada bem mais serena em nossas vidas em recuperação.


Escrito pelo editor de Alcoólico em Paz. A reprodução é livre desde que citada a fonte e indicado link para o texto original.

Bíblia de Estudo Despertar

Tags

, , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Olha aí, pessoal. Encontrei em uma reunião de A.A. em Garibaldi (RS).

Sinopse: “A obra é dirigida àqueles que buscam o ponto de vista de Deus sobre o processo de recuperação de sua vida ou de um estado de dependência. Tomando como base o programa dos 12 Passos adotado por Alcoólicos Anônimos, a obra oferece recursos que conduzem o leitor a ensinamentos das Escrituras Sagradas que contribuem para a recuperação de sua vida.”

Para comprar pela internet, é só acessar o site da Sociedade Bíblica do Brasil. Ela sai por R$ 55, mais o frete. Mas encontrei mais barato (por até R$ 33) no Mercado Livre.

Autoconsciência: saber como você se sente e por quê

Tags

, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Não sei das outras pessoas, mas nós alcoólicos (e acredito que também dependentes de outras drogas) carecemos de aulas de alfabetização emocional. Muitas delas. Adultos mais ou menos normais parecem ter noção dos seus sentimentos. Mais: parecem também saberem, com certa segurança e boa dose de equilíbrio, por que suas mentes ou seus corpos estão reagindo de tal maneira. Nós (ou, acredito, pelo menos a maioria) parecemos não termos essa percepção interna básica, geralmente aprendida na infância.

Bom, mas agora o estrago já está feito. Nosso negócio é consertar. Buscar soluções. Eu faço terapia, mas acredito mesmo é na espiritualidade (que possivelmente me faça pensar e estudar minha existência e meus sentimentos mais do que qualquer terapeuta). Espiritualidade essa que é a base da recuperação, de acordo com os Doze Passos de Alcoólicos Anônimos (A.A.). E é com eles servindo de ferramenta que podemos realizar uma tarefa muito importante e séria em nossas vidas: nomear nossos sentimentos. Ter clareza (por menor que seja) de nossas emoções, do que ocorre em nosso íntimo, é fundamental para que consigamos tomar decisões sóbrias, lúcidas. Em outras palavras: parar de pensar besteira e de fazer bobagem! Porque fazer reparações é preciso, mas viver para isso é masoquismo. Por isso é que procuramos rogar por sanidade ao Poder Superior. Rogar pelo caminho vivo e lúcido da sanidade. E parece ser bem fácil perdermos o rumo quando não somos capazes de reconhecer e administrar minimamente nossas emoções.

Dar atenção a esse mundo interior, com seus defeitos e qualidades, alegrias e tristezas, ânimos e angústias, é que nos capacita a termos um pouco de controle de nós mesmos. Sim, porque o Poder Superior é quem deve estar no comando, mas quem tem de interpretar seus desígnios e agir somos nós. Esse foco interno, tão solicitado, por exemplo no Décimo Passo (“Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente”) nos faz reconhecer o terreno no qual edificamos diariamente nossas obras. Nos dá noção para tomarmos pequenas ou grandes decisões que influenciarão nossas vidas tanto em curto ou longo prazos.

Mas nem é sobre tomada de decisões o mote desta reflexão que faço. Penso puramente no olhar para dentro de nós mesmos. Acho que é assim que podemos entrar em sintonia com o que e mais importante para nós. Em consequência, temos um contato bem claro com os interesses que nos motivam. Ato contínuo, temos lucidez para fazer escolhas que abrandem nossos sofrimentos e acendam nossas alegrias (porque elas existem). E o mais interessante é que essa se torna uma motivação intrínseca, que vem de dentro. Isso aumenta a possibilidade de que, com o tempo, passemos a agir e pensar com o que poderia chamar de responsabilidade emocional, de viver em sintonia com o que é realmente importante para nós, de estabelecer práticas condizentes com nossas crenças e valores que nos aliviem e impulsionem ao mesmo tempo.

O olhar atento e constante para nossas emoções nos permite essas novas experiências (acho que prazerosas em sua maioria). Nomeando nossos sentimentos passamos a perceber o que queremos cultivar em nossas vidas e por quê. Essa competência para entrar em sintonia comigo mesmo e com o que importa para mim é o que estou tentando aprender. A vida passa e agora já consigo ver algumas coisas acontecendo. É como se eu começasse a imaginar/compreender/sentir que tenho um certo leme interno e que posso colocá-lo em direção aos meus valores. E tudo parece florescer quando o trabalho é bem feito.

Há poucos dias estou praticando essa consciência observadora e tentando ponderar meus pensamentos, principalmente nos momentos mais intolerantes, críticos, raivosos até. Tem dado certo. Dá para perceber que já controlo boa parte dos impulsos antes de agir. Esses momentos de pausa passaram a ser um bálsamo, um pouquinho de liberdade para escolher, para administrar as emoções e impulsos em vez de ser terrivelmente controlado por eles.


Escrito pelo editor de Alcoólico em Paz. A reprodução é livre desde que citada a fonte e indicado link para o texto original.

O peixe que morreu no mar sem nunca ter visto o mar

Tags

, , , , , , , , , ,

Ouvi uma estória impressionante. Um sábio senhor me contou sobre um peixinho que queria encontrar o mar. A grande expectativa desse pequenino era encontrar o mar, nadar no mar, conhecer as maravilhas do oceano, do grande oceano, do imenso oceano que sempre ouvira falar. Segundo o homem me contou, era um peixinho agitado, de certa forma impaciente. Nadava sempre bem rápido sem dar muita atenção às coisas do dia-a-dia, às coisas que passavam por ele cotidianamente. Estava focado em sua obsessão de chegar ao mar. De ver as maravilhas do mar, de viver, de sentir emoções, de curtir, de, quem sabe, pelo menos ser aceito nas águas do mar.

Nós alcoólicos parecemos muito com o tal peixinho da estória. Vivemos buscando alegrias e satisfações, muitas vezes pelo menos um sentido para nossas vidas… e raramente encontramos. Mas, voltando ao pequeno peixe, certo dia ele encontrou um peixe bem grande. Grande o suficiente para não se preocupar com a correria do peixinho. Intrigado, perguntou:

_ Por que nadas tão rápido, de um lado para outro, pareces procurar algo que perdeste?

_ Quero chegar ao oceano, quero conhecer o mar, quero viver as maravilhas desse mundo imenso que é o mar.

_ Mas… pequeno amigo, tu já estás no mar!

_ Como? Não é possível! O oceano é muito grande, é imenso, e só consigo ver poucos metros à frente.

_ Mas…

_ Desculpa-me, seu peixão, preciso continuar minha busca.

E foi assim que, depois de um certo tempo, o pequeno peixe morreu… no mar… sem nunca ter visto o mar.

Na maioria das vezes nos comportamos assim. Procuramos alegria no dinheiro, na boa saúde, no poder… no sucesso. Por falar nisso, já paramos para pensar por que tantas pessoas famosas cometem suicídio? Chegaram onde quiseram: ao sucesso. Porém, quando lá chegam, sentem-se no cume de uma montanha e que os únicos caminhos que ocorrem são para baixo.

Mas não precisamos viver assim. Basta descobrirmos o oceano no qual estamos nadando e sermos felizes com o que temos ao nosso redor. Basta percebemos o infinito que nos rodeia. Basta termos mente aberta para as oportunidades, para a vida feliz que podemos ter.

Assim espero que tanto eu como você consigamos perceber o oceano no qual vivemos e sermos felizes como somos e com o que temos, por enquanto.

Há solução para o que chamamos de cansaço

Tags

, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Este não é um site religioso, embora, assim como a irmandade de Alcoólicos Anônimos (AA), o espiritual é levado em conta… mais: é tido como fundamental para a recuperação do alcoolismo e da dependência química a outras drogas. Pois bem, feita essa ressalva, passo a comentar que, dia desses, ouvi uma pregação do frei Elias Vella. Nascido na ilha de Malta, pregou em inglês. E isso fez toda a diferença, pois a simplicidade das palavras e dos tempos verbais são incomparavelmente mais fáceis de se entender do que o empolamento dado à Palavra pela igreja católica em português. Bom, mais uma ressalva feita, segue uma frase que me trouxe um sentido especial à adoração a Deus (da forma que o concebemos). Disse o frei:

“Quando louvamos a Deus, mudamos nós a Deus, e não Deus a nós”.

Sei que isso não é novo. Muitos já ouvimos que devemos prestar muita atenção quando oramos “seja feita a Tua vontade” (por consequência, não a nossa). Mas o que aquele senhor disse foi de certa forma mais profundo. Ainda não sei se pela imposição da voz, ou pela espiritualidade que pairava no ginásio lotado, mas fez ainda mais sentido quando ele, em sequência, lembrou uma fala de Jesus: “Venham a mim os que estão cansados e eu os aliviarei”. E quantas vezes temos repetido uns para os outros, para nossas famílias, para nossos empregadores, para nossos amigos e em reuniões de AA aquela curta frase, geralmente precedida de um suspiro: “estou cansado!”.

E poucos conseguem entender esse cansaço que sentimos. Não é fadiga, não é tristeza ou melancolia… é cansaço. Uma sensação de que, por mais que façamos, ainda não conseguimos estabilizar nossas vidas como queremos. Sim, há um pouco de expectativa exagerada em alguns casos, mas não na maioria. De certa forma, acredito que todos nós alcoólicos estaremos cansados, a não ser que tomemos as providências que os 12 Passos nos propõem. E qual a tônica da grande maioria dos Passos? A espiritualidade! Seja ela qual for.

E é então que lembro de outro mote exaltado pelo frei Elias. “Sei, em minha mente, que Deus me ama, mas não sinto isso em meu coração. Sinto-me só”. E agora acredito que é exatamente essa solidão que nos faz viver cansados. Queremos estar vivos. Mas para isso (nossos 12 Passos também nos dizem), precisamos viver a espiritualidade. Precisamos estar de fato preparados para darmos diariamente os três primeiros passos. Admitir que nossas vidas são ingovernáveis por nós mesmos (mas por um Poder Superior), acreditar que esse Poder existe e entregar não só nossas vidas, mas nossa vontade em suas mãos, pois a vontade Dele é que vivamos felizes.

Para isso, volto a lembrar da frase dita no início deste texto: “Quando louvamos a Deus, mudamos nós a Deus, e não Deus a nós”. Tenhamos, portanto, coragem de nos entregar, serenidade para aguardar o tempo certo das coisas e mente aberta para aceitarmos a espiritualidade.


Saiba mais sobre Frei Elias Vella

Vampiros Emocionais: 6 personalidades que sugam o seu bem-estar emocional

Tags

, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Algumas pessoas são capazes de esgotar suas reservas de otimismo e boas vibrações. Você já deve ter se encontrado com algumas pessoas que transmitem bons valores e atitudes positivas. Normalmente, tendemos a querer ser amigos e estar em torno de tais pessoas, por razões óbvias. No entanto, existe um outro tipo de indivíduos que tendem a enfraquecer o nosso estado emocional. As razões pelas quais os chamados vampiros emocionais emanam sentimentos ruins nos outros são variados: pessimismo, egoísmo, narcisismo, imaturidade, falta de empatia. São pessoas que criam confusão por onde passam, indivíduos que, inconscientemente ou não, têm a capacidade de roubar a energia e a alegria das pessoas ao seu redor, criando uma aura de negatividade.

O principal problema que os vampiros emocionais causam não é apenas a atmosfera nublada da sua presença, mas como interagimos com eles diariamente, isso acaba gerando altos níveis de estresse e fadiga emocional. Devemos considerar que o estado emocional das pessoas ao nosso redor, eventualmente, nos afeta. As emoções são contagiosas, tanto para o bem quanto para o mal. E quando as emoções negativas se mantém por um bom tempo, os problemas psicológicos (e até algumas doenças) podem começar a aparecer.

É por esta razão que, se não tivermos outra escolha a não ser conviver com um vampiro emocional, precisamos aprender a identificar as suas características distintivas e saber lidar com as suas más vibrações.

Seis personalidades típicas de vampiros emocionais

São indivíduos que se alimentam da energia emocional dos outros. São susceptíveis a manipular emocionalmente suas vítimas para atingir seus objetivos. Muitas vezes, eles se aproximam das pessoas ao seu redor para externar a sua negatividade e se aproveitar do poder do seu interlocutor. Além disso, uma vez que descarregam seus pensamentos e emoções negativas, eles deixam a cena e se preparam para encontrar outra pessoa para descarregar o seu desconforto.

Vampiros emocionais se caracterizam por ter muito pouca empatia. Se mostram claramente egoístas ao usar a presença de outra pessoa para esvaziar toda a sua negatividade acumulada, não se importando que isso possa gerar desconforto e angústia para o seu interlocutor. Eles não se colocam no lugar do outro.

Embora tenham certos aspectos em comum, vampiros emocionais podem assumir várias formas. É por isso que segmentamos um total de sete personalidades típicas de pessoas que roubam o seu otimismo. Confira:

1. Exigente

São aqueles que não só se encarregam de apontar suas falhas, como também contrariam tudo o que você faz ou diz. O objectivo principal é fazer você se sentir inferior a eles. Você está sempre errado e eles sabem a verdade de tudo. Além disso, se você questionar as suas atitudes, o normal é que eles se justifiquem dizendo que “só querem o melhor para você”.

Se você ficar perto dessa pessoa por algumas horas, vai notar que muito do que ela diz são críticas e mais críticas. Nada parece certo, desde coisas banais como o último filme que você viu ou a série de televisão que está na moda, até as suas ideias, seus gostos ou o seu comportamento.

Este tipo de vampiro emocional é tão intransigente que acaba sendo irritante e pode levá-lo a um estado emocional terrível. Tenha cuidado para não se infectar e começar a criticá-lo também!

2. Pessimista

O vampiro emocional também pode assumir a forma de pessimista inveterado. Sempre vê a vida com o copo meio vazio, tudo parece negativo e você vai sofrer horrores para convencê-lo de que está sendo pessimista demais. Ele sempre prepara um contra-argumento que “prova” que a existência não vale a pena.

Se você conviver com este tipo de pessoa, pode acontecer de você acabar se convencendo de que a sua visão das coisas estava errada e se tornar também uma pessoa pessimista, negativa e sem esperança de melhoras.

3. Catastrófico

Eles também podem ser alarmantes. Esta personalidade leva o pessimismo ao extremo. Para eles, qualquer fato ou situação leva a uma escala apocalíptica. Seus tópicos de conversação favoritos se referem a catástrofes e matanças que ouviram nos programas de notícias ou mesmo desastres que não ocorreram, mas que na sua opinião, acreditam que poderiam acontecer.

Este tipo de vampiro emocional acredita firmemente que a vida se resume a enfrentar uma longa lista de perigos iminentes e infortúnios. Se você tiver a infelicidade de conviver com alguém assim, vai logo perceber que se sente exausto com frequência e, na pior das hipóteses, pode começar a incorporar algumas de suas paranoias.

4. Vitimista

É aquela típica pessoa que não para de reclamar sobre tudo o que acontece. Indiferente se as coisas estão indo bem ou mal, ela sempre encontra razões para se queixar e se fazer de vítima. Em uma pessoa vitimista é muito difícil de encontrar apoio emocional, pois ela sempre vai acreditar que seus problemas são muito mais importantes. É provável que você note que o vitimista quer que você faça um download de todos os seus problemas quando ele fala, mas raramente se mostra aberto para ouvir e oferecer apoio quando é você quem precisa falar dos seus problemas pela ele.

5. Agressivo

São pessoas que reagem violentamente sem motivo. Se você dizer ou fazer algo que não lhes parece bom como, por exemplo, um gesto mal interpretado ou por um comentário fora de contexto, isso poderia ser o suficiente para acender a sua fúria. Suas reações são desproporcionais, de modo que pode ser um problema grave se você não tiver cuidado com o que faz ou diz. É claro que conviver com uma pessoa que o obriga a calcular milimetricamente tudo o que você faz ou diz não é positivo para a sua saúde mental. E você provavelmente vai se sentir esgotado após dez minutos de conversa com o vampiro emocional agressivo.

6. Sarcástico

Esta é a personalidade de um vampiro emocional especialmente irritante. A pessoa sarcástica adora jogar ironias sobre você, dardos envenenados, e ao mesmo tempo se proteger atrás da leveza de uma “simples brincadeira”. Assim, ninguém pode culpá-lo por ser rude, porque “era apenas uma piada”.

Embora, às vezes, as suas observações possam ser engraçadas e espirituosas, a verdade é que muitas vezes excedem os limites do respeito e são cruéis para outras pessoas. Se você estiver muito exposto a uma pessoa que faz comentários sarcásticos e cortantes sobre você, isso pode acabar com a sua autoestima. Além disso, é cansativo. É como um soldado isolado em território inimigo: você só pode rezar para que as bombas não caiam sobre você.

Como eles se comportam?

Vampiros emocionais se aproveitam de dois elementos para começarem a roubar a energia emocional daqueles que os rodeiam: tempo e proximidade. É preciso que consigam definir certos laços emocionais e de amizade com a outra pessoa. A partir daí, basta tirar proveito de suas fraquezas.

Por isso, é muito difícil manter um bom estado emocional se o vampiro emocional é uma pessoa que faz parte do nosso círculo interno: família, amigos ou cônjuge. Quando mais próxima for a relação, mais ela vai lhe causar efeitos nocivos.

Eles sabem como escapar

Normalmente, o vampiro emocional tenta humilhar ou desqualificar os outros, mas muitas vezes se escondem atrás de justificativas e pretextos para demonstrar o seu ponto de vista e “provar” para os outros como ele é bom. Alguns podem não estar cientes de que estão roubando a sua energia emocional. No entanto, é claro que podem haver casos em que a personalidade do vampiro emocional não é experimentada conscientemente. Alguns não são capazes de perceber que se comportam assim, e não estão cientes dos efeitos negativos de suas ações sobre as pessoas ao seu redor.

As causas do comportamento vampírico

Às vezes, não percebem que o seu comportamento pode ser causado por situações ou eventos traumáticos que viveu anos atrás (ou talvez também por imitar comportamentos e atitudes disfuncionais que viu em seus pais). O produto disso é que suas relações com outras pessoas é influenciada por esses mecanismos de defesa que foram adquiridos e consolidados como parte de sua personalidade.

Cabe a você avaliar se o vampiro emocional merece uma segunda chance. Naturalmente, o fato de que alguns vampiros emocionais não estarem completamente cientes de que estão sugando o seu bem-estar emocional não é desculpa para não relevar o dano que causam em você. É uma questão de detectar o problema cedo e tomar as medidas adequadas e justas: em alguns casos, uma conversa sincera pode surtir efeito e consertar a situação. Em outros casos, a melhor solução é se distanciar deles.


Fonte: Psicologiaymente. Traduzido e adaptado por Psiconlinews e editado por Alcoólico em Paz

Oito regras simples para se comunicar com um manipulador

Tags

, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Os manipuladores têm a capacidade de cultivar em nós o sentimento de culpa, nos chantagear e mentir descaradamente. Acabamos fazendo o que eles querem e mandam, mesmo que para isso seja preciso ultrapassar nossos próprios limites, como se nossa vontade nem sequer existisse. Esse jogo pode durar anos, envenenando a vida quem é manipulado.
Para que você se defenda deste tipo de pessoa, compartilho certas “normas de segurança“ que foram criadas pelo expert em comunicação e treinamento Preston Ni.

Lembre-se de seus direitos inalienáveis

  • Você tem direito a ser respeitado por outras pessoas;
  • Tem direito a expressar seus sentimentos, opiniões e vontades;
  • Tem direito de estabelecer suas prioridades;
  • Tem o direito de dizer ”não” sem que se sinta culpado;
  • Tem direito de receber aquilo pelo que pagou;
  • Tem direito a expressar seus pontos de vista, mesmo que eles sejam diferentes dos demais;
  • Tem direito de se proteger de ameaças físicas, morais e emocionais;
  • E você tem direito a construir sua vida de acordo com sua própria noção de felicidade.

Estes são os limites do seu espaço pessoal. Claro que os manipuladores são grandes destruidores dos nossos limites, que não respeitam nem reconhecem nossos direitos. Porém apenas nós mesmos somos os responsáveis por nossas próprias vidas.

Mantenha distância

Durante a comunicação, um manipulador mudará sua máscara o tempo todo: com uma pessoa pode ser extremamente educado, enquanto com outro pode reagir com violência e grosseria. Em uma situação se fará passar por alguém indefeso, enquanto em outra deixará aparecer seu lado agressivo. Se você já percebeu que a personalidade de alguém tem a tendência de refletir este tipo de extremos, o melhor que você pode fazer é manter uma distância segura dessa pessoa e não se relacionar com ela a menos que seja realmente necessário.

O mais comum é que os motivos que levam a este comportamento sejam complexos e tenham raízes na infância. Corrigir, educar ou salvar um manipulador não é problema seu.

Não o leve a sério

A tarefa de um manipulador é brincar com suas fraquezas. Não surpreende se, na presença de alguém assim, você passar a sentir sua “incapacidade” e até tentar culpar a si mesmo por não obedecer às ordens daquela pessoa. Identifique essas emoções e lembre que o problema não está em você. Estão te manipulando para fazer com que você sinta que não é suficientemente bom, e por isso deveria estar disposto a se submeter às vontades de outro alguém, chegando a renunciar aos seus próprios direitos.

Analise sua relação com um manipulador respondendo mentalmente às seguintes perguntas:

  • Esta pessoa me demonstra verdadeiro respeito?
  • Suas exigências e solicitações são bem fundamentadas?
  • É uma relação equilibrada? Talvez você seja um dos que se esforça enquanto o outro só recebe os benefícios?
  • Esta relação me impede de manter uma boa relação comigo mesmo?
  • As respostas a estas perguntas ajudarão você a entender de quem é o problema, se ele está em você ou na outra pessoa.

Faça-o perguntas para testar

Os manipuladores sempre tentarão coagir você com suas solicitações ou pedidos, fazendo com que você se esqueça de si mesmo e das suas necessidades. Se o manipulador tenta te ofender ou refutar seus argumentos, mude o foco de atenção: de você mesmo para seu interlocutor. Faça-o algumas perguntas de teste e ficará mais claro para você se tal pessoa tem ao menos um pouco de autocrítica e/ou vergonha.

  • “Você acha que é justo o que está me pedindo?“
  • ”Você acha que isso é justo comigo?“
  • “Posso ter minha própria opinião a respeito disso?”
  • ”Você está perguntando ou afirmando?“
  • ”O que eu recebo em troca?“
    “Você acha mesmo que eu… (reformule o pedido do manipulador)…?”

Fazer estas perguntas é como colocar o manipulador em frente a um espelho, onde a pessoa verá o “reflexo“, a verdadeira natureza de seu pedido.

Ainda assim, existe um tipo único de personagem que sequer se dará ao trabalho de ouvir você, e insistirá constantemente em favor próprio. Nesse caso, siga os seguintes conselhos:

Não se apresse!

Outra das estratégias preferidas do manipulador é forçar você a responder ou agir de imediato. Numa situação em que o tempo passa rápido, é mais fácil para ele manipular para conseguir o que deseja (na linguagem de vendas, seria como dizer ”fechar logo o negócio”).

Se você sente que estão te pressionando, não se apresse a tomar uma decisão. Use o fator tempo a seu favor, retire a chance de ter sua vontade coagida. Você manterá o controle da situação dizendo apenas “eu vou pensar”. São palavras muito eficientes! Faça uma pausa para analisar prós e contras: determine se você quer continuar discutindo sobre o assunto ou dar um ”não” definitivo.

Aprenda a dizer ’não’

Saber dizer ’não’ é a parte mais importante na arte da comunicação. Uma negação clara permite que você se mantenha imóvel em sua opinião, criando uma boa relação com seu interlocutor (se as intenções dele forem saudáveis).

Lembre-se de que você tem o direito de estabelecer suas prioridades, tem direito a dizer ’não’ sem por isso sentir qualquer tipo de culpa. Você tem direito a escolher seu próprio caminho à felicidade.

Fale-o sobre as consequências

Como resposta às intromissões grosseiras no seu espaço pessoal e à dificuldade em aceitar seu ’não’, fale ao manipulador sobre as consequências de seus atos.

A capacidade de identificar e expor de forma convincente os possíveis resultados é um dos métodos mais eficientes de truncar o jogo do manipular. Você o colocará num beco sem saída, obrigando-o a mudar de atitude com relação a você ou até a revelar qual era seu plano, inviabilizado-o.

Defenda-se de zombarias e ofensas

Às vezes os manipuladores chegam a ofender ou até zombar diretamente, tentando assustar suas vítimas ou causar nelas algum tipo de sofrimento. O mais importante é lembrar que as pessoas assim se apegam ao que acreditam ser uma fraqueza. Enquanto você for passivo e obediente, será um alvo fácil diante de seus olhos. O curioso sobre isso é que, na maior parte dos casos, este tipo de pessoa é, na realidade, covarde: logo que a vítima começa a demonstrar personalidade e a defender seus direitos, o manipulador se retira. Esta regra funciona em qualquer esfera da sociedade, seja na escola, na família, ou até no trabalho. Lembre-se que não vale a pena entrar numa briga, basta manter a calma e deixar clara sua opinião.

De acordo com estudos, muitos abusadores foram ou são vítimas de abusos. É óbvio que esta condição não justifica de maneira alguma seu comportamento, mas é importante lembrar para responder a seus atos com sangue frio e sem remorso algum.


Publicado originalmente por IncrívelClub.