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Acabo de sair de uma excelente reunião de Alcoólicos Anônimos em Garibaldi, RS. Fui com a intenção de me despedir, mesmo sendo com um até breve, pois estou mudando de residência amanhã para Canoas, RS. Antes mesmo de iniciar a reunião, surpreendi-me com a quantidade de companheiros que vinham me cumprimentar pelo depoimento. Mas como, se ainda não havia começado a sessão? Ocorre que uma fala minha em uma reunião passada foi gravada e reproduzida em programa específico do A.A. na rádio local hoje pela manhã.

Quando comentei esse costume do grupo garibaldense para companheiros de um grupo de Porto Alegre, houve um certo estranhamento. Mas lembrei-os da Quarta e da Quinta Tradições. A primeira diz que “Cada grupo deve ser autônomo, salvo assuntos que digam respeito a outros grupos de A.A. em seu conjunto”, e a outra que “Cada grupo é animado de um propósito primordial – o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre”. Em Garibaldi, o grupo decidiu assim e tem dado muito certo. Claro que os depoimentos são editados para preservar o anonimato e o membro deve autorizar sua veiculação. Mas acho que a experiência garibaldense é fantástica e resolve os problemas de muitos outros grupos que não conseguem fazer com que membros vão até os estúdios gravar seus depoimentos.

Fato é que na reunião aberta desta quarta-feira, com aproximadamente 50 pessoas (número considerável para uma cidade de cerca de 35 mil habitantes) entre alcoólicos e familiares Al-anons e Alateens, muito se falou no 12º Passo (“Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a esses passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar esses princípios em todas as nossas atividades”). Falou-se do programa de rádio, um profissional da área da segurança pública relatou a importante prática que aplica diretamente no seu trabalho que envolve lidar com eventos trágicos envolvendo pessoas alcoolizadas, indicando A.A. quando julga conveniente, etc. E, humildemente, eu decidi divulgar esse blog publicamente, o que só o fazia em conversas mais íntimas com alguns companheiros.

Não adianta fugir. Nossa recuperação pede movimento e, se posso ajudar outros além de mim com essas linhas diárias que me esforço em escrever, acredito que devo continuar a fazê-lo e divulgar quando necessário. Hoje, depois de conversar com os companheiros, percebi que estava interpretando mal os conceitos de humildade e orgulho. Hoje ouvi que não é deixar de ser humilde ou ser orgulhoso o fato de eu divulgar este blog em uma reunião de A.A. Aí lembrei um texto do próprio Bill W., co-fundador da irmandade. Ele escreveu em um artigo de julho de 1955:

“Nosso 12º Passo – levar a mensagem – é o serviço básico que prestamos à comunidade de A.A.; é o nosso principal objetivo e a razão primordial de nossa existência. Portanto, o A.A. é mais que um conjunto de princípios, é uma irmandade de alcoólicos em ação. Temos que levar a mensagem, pois, se não fizermos, morreremos e àqueles a quem não se revelar esta mensagem, também morrerão.” (Em “A Linguagem do Coração”, pág. 188).

Por fim, agradeço com prazer ter conhecido e participado, mesmo que por pouco tempo, do Grupo de A.A. Garibaldi. Muito aprendi com vocês. A presença dos familiares em quase todas as reuniões (poucas são fechadas) é uma experiência maravilhosa. Que o Poder Superior continue nos abençoando sempre, de 24 em 24 horas. Muita paz, serenidade e Luz para todos.