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Neste domingo precisei viajar para resolver uns assuntos, daqueles que não podemos nem devemos procrastinar, e aproveitei para levar a família e visitar amigos que foram fundamentais para minha esposa e filha durante o tempo em que estive internado. O dia estava ensolarado e a rota onde eu viajava é muito bonita, costuma ser trilhada por motociclistas de final de semana, daqueles que se vestem a caráter e saem por aí com suas motos incrementadas. Pois em certo ponto um desses aventureiros ultrapassou meu carro, deu uma leve buzinada e estendeu levemente para baixo a mão esquerda com o sinal de “eu te amo” em libras.

Sinceramente, sem querer ser piegas, foi uma das cenas mais emocionantes que eu vi e vai ficar gravada em minha mente para sempre. Naquele segundo, consegui perceber também que no para-lamas da moto havia o símbolo de N.A. (Narcóticos Anônimos). Foi aí que lembrei que na traseira do meu carro tem um adesivo do A.A. Então aquela mão enluvada a meio-dedos fez todo o sentido… Estava dizendo “estamos juntos, vale a pena, é possível ser feliz em sobriedade”. Até tentei achar na internet alguma imagem parecida, mas é impossível (fiz essa montagem tosca aí de cima só para ilustrar). A cena é única em sua beleza e significado.

Com aquele simples gesto, aquele companheiro fez um grande 12º Passo para mim! Está lá, no livro “Os Doze Passos e as Doze Tradições”: “A alegria é o tema do Décimo Segundo Passo, (…), o dar que não pede recompensa, o amor que não tem preço.” (pág. 6). E logo se escondeu depois de uma curva o anônimo motociclista com sua caroneira agarrada a ele. Livre para ser feliz, desde que não se esqueça das coisas primeiras, da recuperação diária. Assim me senti. Feliz e tranquilo. Hoje sei que há sempre alguém junto comigo, que faço parte de uma irmandade na qual o sol nunca se põe, pois a todo o momento, em algum lugar do mundo, existe AAs reunidos no caminho da sanidade e da espiritualidade. Juntos em uma fraternidade na qual o cimento é o amor. Nas palavras do próprio Bill W. em um artigo de maio de 1960 intitulado “O que é Liberdade em A.A.” (A Linguagem do Coração, pág.356):

“Nossas liberdades de A.A. constituem a terra em que pode florescer o autêntico amor – o amor que temos uns com os outros e o amor de todos para com Deus.”

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