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“Primeiro as coisas primeiras”. Lugar-comum em tanto em reuniões de Alcoólicos Anônimos como de Narcóticos Anônimos. E é assim mesmo que funciona. Estabelecer prioridades e agir com firmeza e boa vontade é fundamental para a vida em recuperação. O pequeno porém é que antes precisamos avaliar, diria ponderar, para decidir o que deve vir primeiro e quando.

Outro lugar-comum, esse já em tom de jargão mesmo, é aquela frase: “primeiro eu, segundo eu, terceiro eu”. Bom, é claro que a nossa sobriedade vem em primeiro lugar. Estar limpo e, de preferência, no melhor nível de serenidade e espiritualidade possível é premissa básica para qualquer outra atividade ou querer em nossas vidas de dependentes químicos em recuperação. Mas algumas vezes deixar de ir a uma reunião de mútua-ajuda, por exemplo, é algo a se considerar. Temos outras responsabilidades importantes e que não podem ser desprezadas sob pena de, inclusive, desviarmos de nossa recuperação.

Fazer escolhas. Isso é o que ocupa a mente do ser humano a todo o instante, centenas de vezes ao dia. Acho que todos os filósofos do mundo tresvariaram sobre essa questão. O nosso melindre é que em alguns momentos críticos, é preciso cogitar prioridades. A questão é simples: o que é mais ou menos importante, o que é mais ou menos urgente. Mas não é tão fácil assim. Sempre fico cismado quando tenho de faltar a uma reunião de A.A. para a qual eu havia me programado.

Hoje meus dilemas começaram quando, depois do trabalho, tinha de lavar o carro, pois há um comprador interessado e eu preciso fazer o negócio com certa urgência. Mas minha esposa teve de ir ao dentista e nossa filhinha iria ter de ficar na creche além do horário que está acostumada. Sei que isso a deixa angustiada. Remarquei com o interessado no carro e fui buscar minha pequena. Uma hora e meia antes de a reunião começar, minha esposa chegou em casa e desabou na cama, cansada de uma noite mal dormida e de um dia desgastante de trabalho. Não acordava nem com a folia que fazíamos na sala. E a cada 15 minutos eu repensava na possibilidade de acordá-la para eu poder ir à reunião. Acabei não indo.

Às vezes é assim. Preferi priorizar o bem-estar da minha família. Sei que, se eu não estiver bem, se estiver na ativa, por exemplo, não haverá nem família para priorizar. Sei disso. Mas fiz o que meu coração mandou, o que me fez sentir bem. Para resolver a questão, fiz uma muito insolente metamorfose na Oração da Serenidade:

“Concedei-me, Senhor, Serenidade para estabelecer prioridades, Coragem para levar as decisões a cabo, e Sabedoria para fazer as escolhas corretas”.

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