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O ser humano não alcoólico não é um sujeito completamente racional. Isso não é novidade. Centenas de estudos comprovam isso. E quando usam suas mentes de forma lógica, geralmente cometem equívocos e as coisas não ocorrem bem como planejado. Não é por acaso que psicólogos e psiquiatras têm agendas lotadas. Mas fechando um pouco esse leque e focando na mente de um alcoólico (ou de um dependente químico de outra droga), logo se percebe algumas armadilhas que, mesmo conscientemente cometemos. É fatal. Refletir sobre elas pode ser importante para o nosso dia-a-dia em recuperação. Por isso separei sete dessas ardilezas com que deparamos cotidianamente.

1. Ter excesso de confiança: Humildade é uma das principais ferramentas espirituais para a recuperação. Qual alcoólico não é orgulhoso? A maioria incorpora ao orgulho a prepotência e a arrogância. Mas o difícil mesmo é percebermos quando estamos colocando o orgulho na frente das nossas ações. Quando conseguimos percebê-lo, muitas vezes nos assombramos como esse defeito de caráter é sutil, mas geralmente só é quase imperceptível para nós, os outros à nossa volta o notam muito claramente. O excesso de confiança é muitas vezes a desgraça de especialistas. Imagine para nós, alcoólicos, que nos julgamos especialistas em quase tudo.

2. Iludir-se com a fama: Inteligente todo o alcoólico é. O problema é que usa a essa virtude de forma errada. Mas convenhamos, a maioria de nós somos bons naquilo que fazemos, quase todos somos destaque em nossas profissões. E é aí que, paradoxalmente, colocamos tudo a perder. Novamente com o ego inflado, seguimos para o caminho da desgraça. Achamos que podemos tudo, que se treinarmos natação todos os dias, ficaremos com o corpo parecido com o dos nadadores profissionais, quando na verdade eles são profissionais por terem o corpo adequado ao esporte. E não hesitamos em pular em qualquer “piscina” que vemos pela frente.

3. Só enxergar os sucessos: Quando na ativa, logo depois de passar as ressacas física e moral, tendemos sistematicamente a esquecer dos erros e focar em qualquer coisa, por mínima que seja, que tenha dado certo (ao menos em nossa opinião). Em recuperação, mesmo em sobriedade por algum tempo, tendemos confundir imprudência com otimismo. Esquecemos que o importante é fazer as coisas bem feitas, mas em seu devido tempo. Tendemos a não lembrar da máxima “vá, mas vá com calma”.

4. Esquecer da reciprocidade: A maioria de nós só está em recuperação porque recebeu ajuda. Alguém nos ajudou. Um Poder Superior a nós mesmos nos ajuda a todo o momento mesmo quando não temos humildade, aceitação e mente aberta para isso. Tendo alcançado a sobriedade, é fundamental para a sua manutenção “repassar a mensagem para o alcoólico que ainda sofre”. É o que pede o 12º Passo de Alcoólicos Anônimos. Fortalecemos nossa recuperação servindo, sendo “responsáveis quando alguém estende a mão pedindo ajuda”.

5. Fazer as coisas do nosso jeito: É certo que especialistas também erram, que o governo não está sempre certo, que as leis por vezes não se ajustam a determinadas situações, que as pessoas têm defeitos. Mas isso não nos dá o direito de sair por aí agindo da forma que bem entendemos. Sim, temos um caráter contestador. Duvidamos da eficácia de tudo, mesmo do programa de 12 Passos de A.A. que utilizamos para diariamente salvar nossas vidas. Muitos de nós olham para a placa que diz “evite o primeiro gole de 24 em 24 horas” e entendem que estão sóbrios porque querem, unicamente por seu “poder” pessoal de conseguir evitar o primeiro trago.

6. Não largar uma ideia ruim: Muitos não largam projetos fadados ao fracasso só porque acreditam que já gastaram tempo demais pensando neles e que um dia darão certo. Nós temos a tendência da birra. Em algumas questões somos teimosos e não damos o braço a torcer. Relutamos em fazer um destemido e completo inventário moral de nossas vidas, reconhecer nossos defeitos de caráter e livrarmo-nos de nossas imperfeições. Preferirmos manter reservas, sonhos escondidos ou mesmo comportamentos que sabemos que podem nos levar de volta ao fundo do poço.

7. Achar que está bem informado: E ainda há os que acreditam que conhecem todas as instruções para manter a sobriedade. Conhecem os 12 Passos de A.A., praticaram todos eles pelo menos uma vez na vida, leram toda a literatura sugerida, até palestram sobre alcoolismo quando solicitados. Milhares de economistas do mundo todo com pilhas de relatórios, levantamentos e estudos não conseguiram prever a crise econômica que assolou os EUA e a Europa em 2008. Ter informação não é tudo. Analisar o mundo a sua volta, ponderar sobre seus sentimentos e agir com cautela é mais razoável para uma recuperação segura e serena.

Este artigo pode ser livremente reproduzido desde que citada a fonte e o link.

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