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No senso comum, costuma-se dizer que o álcool mata devagar, que geralmente quem morre em função dessa droga é o doente alcoólico que, pelo beber em excesso e por vários anos, passa a adquirir comorbidades como a cirrose hepática, por exemplo. Mas estudos e vários casos provam que uma overdose por álcool é, sim, possível, ainda mais quando o uso é associado com outras drogas, principalmente a cocaína. Uma overdose por álcool ocorre quando uma pessoa adquire um teor de álcool no sangue (ou BAC, na sigla em inglês para Blood Alcohol Content) superior a 0,45% (veja gráfico abaixo do National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism, NIAAA).

O que comumente se fala é que é impossível morrer por overdose alcoólica, pois a pessoa dorme, desmaia, ou mesmo vomita antes de consumir a quantidade fatal. Mas essa teoria é um grande engano. Em primeiro lugar, mesmo o bebedor estando dormindo, seu organismo continua a absorver o álcool ingerido. Se a ingestão houver passado do limite, o indivíduo morrerá dormindo caso não seja atendido por uma equipe médica que fará vários procedimentos, como lavagem gástrica, por exemplo.

Um segundo caso, o mais comum, é a associação com outras drogas, como a cocaína, por exemplo. O álcool funciona como depressor do organismo, e a cocaína como um estimulante. É sabido que, quando se bebe muito e, logo após se faz uso da cocaína, o efeito ébrio passa e a pessoa se sente sóbria novamente para continuar bebendo. Nesse caso, o indivíduo pode facilmente chegar ao limite fatal de teor de álcool no sangue sem desmaiar de bêbado e morrer. Esses casos geralmente são classificados como overdose de cocaína, quando na verdade a droga que matou foi o álcool.

O abuso da bebida pode variar em gravidade, de problemas de equilíbrio e fala enrolada, para coma ou até mesmo a morte por infarto, falência hepática ou outros. A quantidade da ingestão para se chegar a esses estados depende de vários fatores como idade, costume de beber, sexo, quantidade de alimento ingerido e mesmo etnia. Uma pesquisa do NIAAA mostra que atualmente os mais vulneráveis à overdose geralmente são jovens, pois costumam sobrecarregar o organismo de álcool sem medir consequências.

A intoxicação por álcool ocorre quando há tanto álcool na corrente sanguínea que as áreas do cérebro que controlam funções de tais básicos de suporte à vida como respiração, batimentos cardíacos, e controle de temperatura começar a desligar. Os sintomas da intoxicação incluem confusão, dificuldade em permanecer consciente, vômitos, convulsões, problemas com a respiração, diminuição da frequência cardíaca, pele pegajosa, respostas embotadas, e baixa temperatura corporal.

Com pronta ajuda médica, o chamado envenenamento por álcool pode não ser fatal. Mesmo assim, na maioria dos casos o bebedor que sobrevive a uma overdose de álcool geralmente sofre danos cerebrais de longa duração e mesmo irreversíveis. Se você suspeitar que alguém está em intoxicação por álcool, procure ajuda médica imediatamente. Chuveiros frios, café quente, ou uma caminhada não irá reverter os efeitos da overdose por álcool e pode piorar as coisas. No hospital, a equipe médica irá gerenciar problemas respiratórios, administrar líquidos para combater a desidratação e baixa de açúcar no sangue, e lavar o estômago do bebedor para ajudar a limpar o corpo das toxinas.


Texto do editor do blog Alcoólico em Paz, baseado em informações do artigo “Alcohol Overdose: The Dangers of Drinking Too Much”, do National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism, NIAAA.

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