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Já na minha primeira reunião em Alcoólicos Anônimos, ouvi sobre a importância do servir para se viver em sobriedade. Observando os passos, percebemos que o trabalho, a ação, está presente em quase todos, exceto os três primeiros, que praticamente exigem meditação e aceitação. Colocar-se em movimento, ir adiante é fundamental. Mas não é só a boa vontade de participar de reuniões de A.A., por exemplo, que nos salva. Servir é preciso. “Servir é viver”, diria Bill W., co-fundador da irmandade em artigo de junho de 1951:

“Consideremos por um momento o membro individual de A.A. A fé, por si só, não o salva. Ele tem que agir, fazer algo. Ele tem que levar a mensagem para os outros praticarem os princípios de A.A. em todos os seus assuntos. Caso contrário, ere recai, murcha e morre.” (Artigo “Servir é Viver” em “A Linguagem do Coração” pág.150).

E sempre há o que fazer para levar adiante a mensagem de amor que nos foi dada gratuitamente. É isso que nos é sugerido no 12º Passo. Dia desses, conversando com um consultor da clínica onde estive internado, concordamos que fazer o café para as reuniões de A.A. é um dos serviços mais singelos e interessantes. É simples, tem de chegar mais cedo, dá a oportunidade de conversar com todos que chegam antes e, uma coisa bem importante, quase nunca é percebido. É um serviço quase anônimo.

Porém, o que vejo na realidade é que temos ainda poucos servidores em A.A. Muitas vezes é difícil reunir uma turma para levar a mensagem em uma instituição, para servir de tesoureiro, secretário ou coordenador de um grupo. Muitos são abnegados. Postei há pouco tempo um texto que falo dos grupos de um companheiro só.

Hoje resolvi escrever sobre serviço por três motivos. Um deles é porque percebi apenas ontem que recebo um grande serviço diário de um companheiro. Estivemos internados juntos e participamos de um grupo de mensagens no WhatsApp. O grupo anda meio parado, sem muitas mensagens. Aí, todas as manhãs, recebo um “Bom dia!” no celular, e muitas vezes um “Grato ao Poder Superior por mais um dia! Boa noite!” ao entardecer. E quando eu escrevo qualquer coisa lá, geralmente quando estou um pouco angustiado, não tarda e aquele companheiro responde com uma mensagem de apoio. Ele não sabe, mas faz um grande serviço, pelo menos para mim.

O outro motivo é foi apenas ontem também que percebi que amanhã, dia 17, faz 60 dias que este blog está online. E esse é a forma que encontrei para servir os meus companheiros. Confesso que não é muito fácil ter de escrever diariamente. Aquele cursor piscando em uma tela branca por vezes incomoda. E quando não tenho nada de bom para dizer, prefiro buscar algum material interessante na internet e divulgar, o que não é tão frequente, convenhamos.

E o terceiro motivo mostra o inverso do que acabei de dizer. É um desafio grande escrever diariamente no blog, mas tem coisas que faço tão facilmente e nem considero serviço. Quando estive internado, escrevi vários cartazes com frases de otimismo e pendurei na sala do nosso grupo. Continuei fazendo isso e, cada vez que visito a clínica, uma ou duas vezes por mês, costumo levar um cartaz novo. Na última terça-feira, estive lá. Aproveitei para dar (e receber) um apoio do pessoal que está na Unidade de Desintoxicação, aguardando para começar o tratamento de 28 dias. Um rapaz de pouco mais de 20 anos, no meio da conversa, confessou-me que esteve com os pais visitando a clínica, mas não quis ficar. Então, relatou ele, quando entrou em uma sala cheia de cartazes, achou o lugar muito interessante e ficou uma semana pensando naquilo. Até que na semana seguinte, chamou os pais e pediu, lembrando dos cartazes, que o internassem naquela clínica.