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Ontem participei de uma reunião de Alcoólicos Anônimos. Quando cheguei, me surpreendi com a quantidade de pessoas diferentes, várias delas com idade acima dos 60 e certamente provenientes de outros grupos. Logo percebi o motivo para as visitas: uma de nossas companheiras receberia sua ficha de 32 anos de sobriedade. Ficha simbólica, pois na irmandade de A.A., a última ficha é a de 30 anos. E quem chega a esse tempo de sobriedade, ou mesmo está perto dele, em algumas ocasiões é chamado carinhosamente de “dinossauro”. Pois bem, ontem a sala estava cheia deles.

Devo confessar que fiquei curioso e ansioso por ouvir os depoimentos de tantas pessoas mais experientes na irmandade e que por tantos anos, de 24 em 24 horas estão superando a doença do alcoolismo. Mas após duas horas, percebi o que não deveria ser novidade. Todos falaram o que todo o membro dedicado de A.A. sabe. Uns versaram sobre humildade, outros por honestidade. Uns falaram em aceitação, outros em boa vontade… Ou seja, a obra divina de Alcoólicos Anônimos é tão óbvia que “pode ser toda ela escrita em um grão de arroz”, como diriam os mestres orientais.

Mas o que ficou gravado para mim foi o depoimento da própria companheira que, do alto dos seus 81 anos de idade e 32 de sobriedade, falou basicamente sobre disciplina e domínio sobre o orgulho. Mais ainda, deu um exemplo vivo de como diferenciarmos orgulho de autoestima, arrogância de dignidade. Estou muito agradecido a ela.

E se, antes da reunião eu esperava por um segredo, fiquei com as únicas palavras que o dinossauro que entregou a ficha para a companheira falou (e que é um lema em A.A.): “o segredo está na próxima reunião”.

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