Tags

, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Um companheiro de Alcoólicos Anônimos de um dos grupos que frequento chegou dia desses na sala e, em seu depoimento, disse que estava retornando às reuniões depois de cinco anos afastado. Segundo ele, há muitos anos sóbrio, seguia sem vontade de beber, mas nos últimos tempos percebeu que seus defeitos de caráter estavam dando as caras. Por isso, voltou. Retornou ao convívio dos companheiros pois a doença do alcoolismo é mais do que a compulsão pelo beber destrutivo e o modo de vida de A.A. e as sugestões do programa de 12 passos são uma forma de viver em serenidade. Isso faz algumas semanas. E ele tem voltado. E parece que está dando certo para ele. Tem recuperado a paz.

Durante muito tempo eu fugi das reuniões. Acreditava que estando algumas semanas ou mesmo dias sem beber já me eximia de frequentar as salas. E a história está aí mostrando as dezenas de recaídas. Na verdade, nem dá para considerar como recaídas, pois na verdade nunca havia realmente parado de beber. Não havia aceitado praticar o programa nem mesmo acreditado no Primeiro Passo (“Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas”). Hoje, principalmente depois do despertar espiritual, percebo o quão importante é a convivência e a partilha com meus companheiros, com aqueles que são portadores da mesma doença que eu.

Vencer o alcoolismo é uma tarefa diária, todos sabem (ou deveriam saber). E isso exige administrar um modo de vida extremamente incomum para um alcoólico na ativa. Viver em recuperação pede ao doente uma dedicação básica, mais pesada para uns, mais leve para outros, dependendo da capacidade de cada um de usar ferramentas espirituais como a boa vontade e a mente aberta. Recuperação exige disciplina (disciplina é a base da recuperação) para manter o programa sugerido por A.A. que eu mencionei no post “Sou grato a Deus por ser um alcoólico”.

E sou grato mesmo. Desde meu despertar espiritual, não sofro mais a obsessão compulsiva por ingerir álcool. E graças a Deus tenho procurado manter a mente aberta para enxergar meus defeitos de caráter. Encará-los é o desafio cotidiano. E são os meus companheiros que me dão ânimo para ir superando as dificuldades sem temer os grandes problemas. Diz aquele ditado popular: cuidado com as pequenas pedras do caminho, nelas podemos tropeçar, as grandes, passamos por cima.

Anúncios