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Algumas máximas são inegáveis em Alcoólicos Anônimos. Três delas me foram lembradas na última reunião, sexta-feira passada. Uma delas diz que, caso não estejamos gostando do grupo, é porque estamos precisando justamente daquele grupo. Devemos, portanto, prestar mais atenção, olhar para dentro de nós mesmos e tentarmos descobrir que angústias estão por trás desta ojeriza às reuniões, companheiros, depoimentos, etc. A outra, diz que, caso o depoimento ou agir de um companheiro nos esteja incomodando, é porque devemos refletir mais sobre ele, pois geralmente é nosso espelho mostrando uma face que não queremos ver. Caso não for isso, então é porque devemos desenvolver a paciência e a compaixão: ele está mais doente do que nós e devemos acolhê-lo.

A terceira reúne as duas acima: devemos sempre estar em contato com nossos semelhantes de doença. Reuniões são importantes para nossa recuperação. Elas fazem parte do processo. São imprescindíveis. Não são como antibióticos, que paramos de tomar quando a doença vai embora. Nossa enfermidade não acaba. É incurável, progressiva e com consequências fatais. Como diz um companheiro de forma engraçada: “podemos dar nossos voos, pois em A.A. experimentamos a liberdade, mas devemos sempre estar em contato com a torre de comando”.

No meu caso, além de ir a reuniões, preciso participar de um grupo de voluntários na clínica onde estive internado. Pelo menos uma vez por mês, participo de um dia de atividades e de uma reunião com ex-internos, chamados de voluntários fixos. O olho-no-olho do companheiro é um instrumento poderoso. Não há como mentir para mentiroso. Se estivermos desviando do caminho da recuperação, o outro sempre saberá. Só um olhar basta. Não há como se esconder. Portanto, não fugir dessa acareação é parte importante da minha caminhada. Nos grupos, os companheiros até percebem, mas muitas vezes não nos chamam para uma conversa em particular. Já entre os companheiros voluntários da clínica, a força de irmandade parece-me maior. Lá eu sei que, mesmo um companheiro desconhecido, caso perceba algo de errado em minha conduta ou mesmo em meu pensamento, vai me chamar a atenção com a firmeza necessária.

Em recuperação, o tempo vai passando, os problemas vão se abrandando e a vida começa a melhorar substancialmente. A facilidade para que nossa doença começe a se manifestar novamente com certa força e para que nossos pequenos desvios voltem a ocorrer é muito grande. Começamos a relaxar na prática dos Doze Passos e vamos afrouxando as rédeas dos nossos defeitos de caráter. Nesses momentos, que vão nos acompanhar provavelmente por toda nossa vida em recuperação, é que precisamos de nossos companheiros. Nessas horas é que me lembro daquele companheiro que pode até parecer cômico, mas fala uma verdade absoluta para nós alcoólicos: devemos sempre manter contato com a torre!

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