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Embora se saiba que o alcoolismo é uma doença lenta, progressiva, fatal e… incurável, desde a segunda metade do século 20, com o avanço das pesquisas farmacológicas, têm-se procurado testado diversos medicamentos em busca de, pelo menos, diminuir a ânsia do beber destrutivo do doente alcoólico. É certo que a única forma de se estacionar de vez a doença se dá em nível psicológico (leia-se aqui também mental, emocional e… espiritual). Para tanto, há quem consiga desenvolver força mental sozinho, há aqueles que a superam com a ajuda de familiares e/ou com grupos de apoio como o Alcoólicos Anônimos e ainda quem deixe de beber por meio de uma ajuda emocional envolvendo uma religião.

Ok, mas o que estamos querendo falar é sobre medicamentos. Nenhum descoberto até hoje, início de 2016, promete a cura do alcoolismo nem é totalmente eficaz. Todos devem ser utilizados com acompanhamento médico, de preferência especializado em dependência química. Na opinião da maioria dos profissionais, a questão medicamentosa deve servir apenas como apoio ao tratamento que deve ser baseado na conscientização do doente. Ainda assim, a última notícia é que, nos Estados Unidos, o FDA (U.S. Food and Drug Administration, na sigla em inglês, órgão que regulamenta drogas e alimentos) está para aprovar mais um medicamento que promete acabar com a graça da bebida. O campral (princípio ativo acamprosato) já está à venda no Brasil, aprovado pelo Ministério da Saúde, e age no sistema nervoso central diminuindo o efeito prazeroso do álcool.

_ O próximo passo poderia ser a combinação entre dois medicamentos: campral e revia. Um age diminuindo o prazer e o outro, diminuindo a vontade de beber _ diz o psiquiatra Arthur Guerra de Andrade, coordenador do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas (GREA), da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

O problema é o preço. Em média, R$ 5 por comprimido. E o paciente tem de tomar um por dia durante cerca de seis meses.

Como resultado de intenso trabalho com animais de laboratório, em 1994 foi aprovado o segundo medicamento para o tratamento do alcoolismo: a naltrexona, droga que bloqueia no cérebro os receptores opióides existentes nos neurônios responsáveis pelos efeitos euforizantes do álcool. A terceira droga aprovada, o acamprosato, bloqueia a liberação de um neurotransmissor (glutamato), produzido em quantidades excessivas pela exposição continuada a doses altas de álcool. Embora reduza a intensidade dos sintomas da crise de abstinência, os resultados do acamprosato têm sido contraditórios.

Nos últimos anos, a compreensão dos mecanismos moleculares que levam à liberação dos neurotransmissores envolvidos nas sensações de prazer, euforia, agressividade e dependência química associadas ao álcool, possibilitou a descoberta de novos tratamentos. Em estudo publicado em 2003, na revista “The Lancet”, o topiramato, usado em casos de epilepsia, enxaqueca e distúrbios alimentares, demonstrou ser capaz de reduzir o número de drinques diários e de aumentar os dias de abstinência.

Em 2010, foi demonstrado que a vareniclina, droga de aprovação recente para os que decidem livrar-se do cigarro, reduz a sofreguidão por bebidas alcoólicas em ratos tornados dependentes. É provável que tenha efeito semelhante em seres humanos. Ao lado dessas drogas que usam como alvo os neurotransmissores, têm ocorrido avanços significativos no estudo de outras que interferem com o mecanismo de estresse, responsável pelo abuso nos mais ansiosos.

De acordo com o médico Drauzio Varella, “é provável que, nos próximos cinco a dez anos, possa ser oferecido aos que fazem uso nocivo do álcool, remédios eficazes que os ajudem a livrar-se da dependência”.


Escrito e editado por Alcoólico em Paz, com informações e fragmentos de textos dos sites Psicosite e Dr. Drauzio.

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