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No Brasil, 10% da população brasileira sofre diretamente com o alcoolismo (exclui-se desse índice os familiares e outros codependentes). Dentro dessa porcentagem, 70% dos casos são de homens e 30% de mulheres. Apesar de o alcoolismo ainda ser visto por muitas pessoas como uma fraqueza em relação a bebida, a doença já é considerada pelos especialistas como uma condição patológica que tira a liberdade do indivíduo de optar pelo consumo ou não de bebida alcoólica. Já a Organização Mundial da Saúde trata o alcoolismo como doença e atribui até código na Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID), o F10 e seus derivados.
Em entrevista ao programa Amazônia Brasileira (Rádio EBC/Governo Federal) o psiquiatra e Amigo do Alcoólicos Anônimos (A.A.), Marcos Micelli, falou sobre o alcoolismo. De acordo com o médico, a definição de alcoolismo mudou:

_ A definição mais antiga de que o alcoólico é aquela pessoa que bebe todo dia, já caiu por terra no meio científico, porque o alcoolismo é uma doença de caráter progressivo e que afeta todas as idades, inclusive uma parcela dos bebês, quando a mãe ingere bebida alcoólica durante a gravidez, causando grandes problemas ao feto. O alcoólico é toda pessoa que, independente da ocasião, da dose que tome e da frequência, não pode reduzir ou suprimir o uso de bebida alcoólica, sob pena de entrar em sofrimento.

Segundo o psiquiatra, muitos alcoólicos são encarados socialmente como aquele bebedor social, pois o alcoolismo não começa, franco, desde a primeira vez que a pessoa tem contato com a bebida, por isso é difícil fazer um diagnóstico no início.

O álcool produz perturbações metabólicas e até físicas dentro da estrutura cerebral do indivíduo, desde muito cedo. Um adolescente que começa a fazer uso de bebida alcoólica, terá comprometida sua capacidade de controle de impulsos, de pensamento, de raciocínios, de organização, e isso significa que, quase na totalidade das situações, esse adolescente terá perdas na vida escolar.

_ O álcool produz doença psíquica no final da sua carreira e isso depende do metabolismo de cada indivíduo. Há pessoas que tem um padrão de danos mais cardíacos, outras um padrão de danos digestivos, outras fazem um padrão de danos neurológicos, com perda de memória, fraqueza nas pernas e tremedeira _ explicou o Marcos Micelli.

Em relação aos povos indígenas que também estão sendo afetados pelo alcoolismo, o médico alerta:

_ O álcool foi um instrumento usado pelo colonizador para destruir o tecido social indígena. Estamos falando de sobreviventes de 400 anos, que foram assediados com bebida alcoólica, desde o início da colonização e reduziram muito a população indígena. Há um problema do uso franco da bebida alcoólica, os indígenas por questões metabólicas e por estarem mais afastados de outros grupos, eles não possuem a defesa metabólica em relação ao alcoolismo.

Marcos Micelli pede que se tome cuidado no consumo de bebidas alcoólicas.

_ O álcool é glamourizado na nossa sociedade, e vemos crianças que desde muito cedo veem seus pais bebendo e essa é a maior influência para a doença, pois dentro de casa é que começa o alcoolismo, não importando a estrutura social da família. Quanto mais precocemente uma pessoa tem contato com o álcool, mais difícil será o tratamento, posteriormente. O álcool é a porta de entrada para outras drogas, provocando malefícios físicos e mentais. O álcool pode provocar demência _ afirma.


Fonte: Rádio EBC, editado por Alcoólico em Paz. Clique aqui para ouvir a entrevista na íntegra.

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