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chato inconvenienteUm dos princípios da sabedoria diz que é preciso saber escutar mais e falar menos. Um dos conselhos dos sábios para viver uma vida em paz é pensar mais no que você tem de retirar do que naquilo que você tem de colocar na sua vida. Juntando essas duas premissas, temos algo fundamental em nossa vida em recuperação: aprender a ficar quieto e retirar tudo aquilo que nos levava à desgraça. Parar de querer sermos diferentes em um “mundo de pessoas iguais”.

Antes mesmo de saber ouvir, ainda mais importante é aprender a ficar calado. Em nossos tempos ébrios, mesmo quando não estávamos embriagados, a maioria de nós era falante, prolixa. Sabíamos de tudo e, mesmo que não soubéssemos, sempre tínhamos necessidade de deixar nossa opinião. A mania de se meter nos assuntos, a ânsia de fazer parte de algo para preencher nosso vazio existencial nos tornava pessoas muito inconvenientes. Mas será que agora, mesmo sem beber, vivendo abstinência e até em sobriedade, somos capazes de permanecer calados ou mesmo esperar que solicitem nosso ponto de vista? Tenho certeza de que esse cacoete persegue a maioria de nós.

Porém, tendo consciência disso, fica mais fácil absorvermos algumas regrinhas do ouro sobre saber calar. Uma delas é não interromper quem está falando com você ou com o grupo onde você está. Espere por uma pausa e, se for necessário falar, seja breve, permita uma pausa para os outros. Preste atenção no que estão dizendo, trabalhe sua impaciência. As pessoas se sentem desrespeitadas quando parecemos que estamos mais preocupados com o que vamos dizer na sequência do que com o que elas estão tentando nos falar. Mantenha o fluxo da comunicação, certifique-se de que você está entendendo o que o outro quer dizer e se é realmente necessário que você diga algo em seguida. Aprender a ouvir é o começo da difícil tarefa de aprender a escutar (que são coisas bem diferentes).

É claro que esses recursos todos não obrigam você a ficar ouvindo pessoas chatas, assuntos desinteressantes ou mesmo sobre algo que te deixe desconfortável, principalmente aqueles que lembram da vida de alcoolista na ativa. Aprenda a deixar uma conversa ou mesmo um grupo de lado de forma gentil e respeitosa. Não se zangue. Lembre que por muitas vezes você foi inconveniente com seus assuntos, suas teorias intermináveis e suas histórias fantásticas (e você sempre tinha uma mais interessante do que a que estava sendo contada por alguém).

Agora, sóbrio, tente perceber as pessoas. Procure não falar somente daqueles assuntos que você mais gosta. Ninguém gosta de sabichões. E sempre haverá alguém que saiba mais do que você. É melhor parecer um pouco tolo do que aparentar ser um pseudossábio.

Lembre-se do que Salomão escreveu. Está lá no livro de Provérbios: “Quem tem conhecimento é cuidadoso ao falar e quem tem entendimento é de espírito sereno. Até mesmo o tolo passará por sábio se ficar em silêncio e se contiver sua língua, parecerá que tem discernimento”.


Escrito pelo editor de Alcoólico em Paz. A reprodução é livre desde que citada a fonte e indicado link para o texto original.